Haim Al-Karim, Hidden WarNós somos seres fragmentados que nos vamos consolidando, mas existem sempre fracturas. Viver com essas fracturas faz parte de uma existência, digamos, razoavelmente saudável.
Siri Hustvedt, in Elegia para um americano
Como ontem nas águas geladas do Carvalhal, custou-me a entrar, mas agora estou a gostar imenso (ontem estive até às duas da manhã de volta dele e claro está que hoje estou num quase profundo sopitar). Agora, entrei naquela deliciosa fase: por vontade minha, estava constantemente de volta dele. Por um lado, para o terminar, por outro para me agarrar aos do Chico Buarque e do/a Jan Morris, varrendo, dessa forma, as pendências e poder, sem problemas de consciência, comprar mais alguns que me titilam: a Natália do Hélder Macedo (talvez, de acordo com o que já li e o que me contava ali em baixo o nemo, para me decepcionar, mas estas coisas têm de ser vividas na primeira pessoa do singular), o autobiográfico Mundo do mui apreciado Juan José Millàs e os três da biblioteca do Lobo Antunes. O do Conrad é uma gostosa re-visitação, mas os outros dois - Balzac e Hawthorne - uma estreia que se espera auspiciosa. [fragmento 1]
Ele, pura e simplesmente, é.
Às vezes, como esta manhã, olhando-o, pergunto-me o que faz aquele Deus no meu leito. [fragmento 2]
Às vezes, como esta manhã, olhando-o, pergunto-me o que faz aquele Deus no meu leito. [fragmento 2]
Leio no Público manuseável que o PS anda à nora para concluir as listas para as legislativas. Ironicamente, sinto-me irmanada. Eis-nos, na sequência do surpreendente resultado das europeias e com o espectro do regresso laranja, no epicentro de um magno quid: eles à nora com as listas, eu à nora com o meu sentido de voto. [fragmento 3]
Já com as autárquicas, não há espiga. Entre contribuir para evitar a eleição do meu absurdo e surreal assistente de Constitucional I e contribuir para a re-eleição do meu simpático e competente assistente de Constitucional II, curiosa e surpreendentemente, não sinto balançar o mais leve fiozito de cabelo. [fragmento 4]
Pediu-me que lhe fizesse um carregamento de € 7,50 no telemóvel. O dinheiro que lhe sobra até dia 23 está contado: precisa do estabilizador de humor para evitar comportamentos como os do fim-de-semana: entre um mergulho na piscina e uma sandes de queijo flamengo, entreteve-se a contar comprimidos e a calcular quantos lhe faltam para que a dose, desta feita, seja a certa. [fragmento 5]
No fim-de-semana passado, por terras espanholas, de El País em riste, tomei a decisão que andava para ser tomada há um ror de tempo: voltar a adicionar às minhas rotinas, uma outra, prazenteira, suculenta e sobretudo supinamente proveitosa: descer até ao Fonte Nova e passar a comprar, ao fim-de-semana, o El País. Arrematada, eis como, no sábado, voltei a lambuzar-me com o Babelia e os mil e um livros que nunca lerei e, ontem, recortei páginas e páginas de coloridos cocktails com estranhos ingredientes em castelhano e que, mercê disso e da minha pouca veia para largar o mojito e a caipirinha, dificilmente provarei. [fragmento 6]
[fragmento 7] E ainda Faramondo: o rei dos Francos enamorado da filha do seu inimigo, Rosimonda. No fim-de-semana, a ele voltei deixando que a A8 e a A2 se povoassem dos seus maravilhosos sons. Nada como uma feliz ópera barroca para dissipar cirros e afastar sombras. E eis como, depois de tu m’accendi - o mais belo dueto da ópera que ouço sustendo a respiração - e de così suole a rio vicina, vos deixo na companhia do próprio Faramondo (Max Emanuel Cencic) com os meus votos de uma belíssima semana:
3 comentários:
Estava aqui a pensar que te acompanho nos fragmentos 3 e 4.
Um abraço extra pelo fragmento 5.
É justo que vivas a Natália no "eu", esquece o que a minha primeira pessoa do singular disse a propósito, e depois vem cá contar-me (-nos)!
Ah meu querido, espero que muitos mais (uma tranquila maioria) se unam a nós no fragmento 4, sendo certo que aspiro a que algum dos deuses se entretenha em me iluminar no momento da escolha 3. Por ora, uma nebulosa. Abraço recebido e retribuído e beijo bem repenicado!
Meu querido nemo, arrematado! Pelo andar da carruagem, a adormercer sobre a Siri todas as noites, vou conseguir ler o Natália para as calendas. As gregas, claro! Todavia, a avaliar pelas estranhas maleitas que para aí andam, enquanto há olhinhos para ler há muita esperança.
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