Alexander Calder, Triangles et Spirales Foi um jantar animadíssimo, sendo certo que o ambiente chegou ao rubro quando o grande tema entrou em debate. Se até aí o rafeiro do Obama, as tontices da Rainha de Espanha, as saliências atoleimadas do Manuel Pinho e os silêncios e dislates da Manuela geraram, mais aqui, mais ali, um quase absoluto consenso, num ápice, a mesa dos 11 convivas que festejavam o aniversário da C. transformou-se num babilónico prós e contras, sem o imprescindível e sopeiral contributo da Fátima Campos Ferreira. De um lado, a ala conservadora, do outro, a ala moderada, sendo certo que nenhum dos presentes revelou ser adepto da ala radical.
Ora, tudo começou quando a A. confessou que andava a tratar de aniquilar o buço através de depilação a laser e que, surpresa das surpresas, cruzava-se mais com cavalheiros do que com senhoras. A ala conservadora saiu, de imediato, a terreiro para mostrar os mais inequívocos sinais de profunda e efectiva agonia: nada pior do que ver um homem transformado em galinha de aviário: pernas, peito e braços depenados. Atalhou a facção moderada que a depilação masculina era mui avisada para o tipo edredão, vulgo Tony Ramos. Que nada, gesticulava a ala conservadora, um homem peludinho tem não só muita graça, como um certo charme, bem bastando ao género masculino o quase exclusivo da alopecia. Os cavalheiros reservados quanto à sua natureza pilosa e sobejamente entalados entre o entusiasmo das duas alas femininas suspiravam para que não pegasse a moda de tirar a barba com cera quente.
E assim seguia a discussão, elevada e profusamente decorada com relatos históricos de encontros imediatos com homens depenados, quase todos eles, curiosamente, no ginásio, quando nos apercebemos que os donos do restaurante estavam não pelos pêlos, mas pelos cabelos, a quase suplicar que fossemos discutir o tema fracturante para outra freguesia.