Lyubov Popova, Duas Figuras
Estava de volta destes mais do que divertidos, supinamente interessantes disparates literários, a pensar em como, à minha minúscula escala, à minúscula escala do A&OD, sinto uma enormíssima responsabilidade ao carregar no botão “PUBLICAR MENSAGEM”.
Errare humanum est é talvez o brocardo latino que mais cedo entra no nosso léxico ou a que, pelo menos, mais facilmente nos afeiçoamos, pela possibilidade que encerra de, com algum grau de erudição, evidenciar que a tendência para o dislate está na nossa condição humana. Mas não é só a possibilidade do dislate, do erro, da falha de conhecimento que, na escrita, preocupam. Também a possibilidade de se ser mal interpretado, de prosaicamente escrevermos alhos e quem nos lê, na maior boa-fé, ler bugalhos ou, pior ainda, de deixarmos passar uma qualquer inconfidência, algo que, bem sopesado, não faz sentido alardear. Nisto, já em queda livre, deparo-me com a visão bartebliana da coisa: o melhor mesmo é não escrever ou como, para o universo das missivas, lia ontem à noite no absolutamente fascinante Os Irmãos Tanner, de Robert Walser:
“Quando escrevemos, somos forçados à confidência imprudente. Nas cartas, a alma quer sempre ter a palavra e por regra usa-a para se recriminar. Por isso é melhor não escrever nada.”
Pára-quedas bem aberto, planando, assumo que prefiro o erro, o risco diário do erro, o eventual perpassar de qualquer inconfidência da alma do que deixar de escrever aos meus amigos. E não tenho a mais pálida dúvida: o A&OD é uma carta diária aos meus amigos.
“Quando escrevemos, somos forçados à confidência imprudente. Nas cartas, a alma quer sempre ter a palavra e por regra usa-a para se recriminar. Por isso é melhor não escrever nada.”
Pára-quedas bem aberto, planando, assumo que prefiro o erro, o risco diário do erro, o eventual perpassar de qualquer inconfidência da alma do que deixar de escrever aos meus amigos. E não tenho a mais pálida dúvida: o A&OD é uma carta diária aos meus amigos.

