Gustave Doré (ilustração de Orlando Furioso de Ludovico Ariosto)di vegetabile,
cara ed amabile,
soave più.
(e, por último, a encantadora escolha da dona da casa, a gata Camila)
io e gli altri, sinais de fogo e avariações várias
Gustave Doré (ilustração de Orlando Furioso de Ludovico Ariosto)(e, por último, a encantadora escolha da dona da casa, a gata Camila)
José Bandeira, in Cravo & Ferradura, no DN de hoje
José Bandeira, Cravo & Ferradura, no DN de hoje
Vera Tavares, Truman Capote, Ilustração inserta em Paris Review
Na entrevista a Truman Capote, a dada altura o escritor responde:"O que é o estilo? E que som, pergunta koan zen, faz uma mão? Na verdade ninguém sabe; e no entanto ou se sabe ou não se sabe."
Mais abaixo, na nota de pé de página: "koan é um pequeno enigma, normalmente paradoxal, de solução impossível à luz da lógica. Aquele a que se refere Truman Capote é o que pergunta: "Qual o som de uma só mão ao bater palmas?"
Precioso, não é?
René Magritte, The LoversRapariga poupadinha, em boa verdade vos conto que, apesar do dia ser de todos os santos, andei, o dia inteirinho, pela mão de Santa Cecília.
É que, ontem, nas nossas deambulações de fim-de-semana, acabei surpreendida pelo puto maravilha, que antecipando o meu aniversário me agraciou com esta pequena maravilha em dois cd's: 3 dos meus eleitos (Purcell, Handel e Haydn) a consagrarem a sua belíssima música à sua santa padroeira.
Sucede que, como não poderia deixar de ser, na busca frenética e frustrada de localizar o tocante Et incarnatus est da Missa Cellensis de Haydn, pelos Musiciens do Louvre e pelas belíssimas vozes de Richard Croft (e eu que até nem vou à bola com tenores, vibrei a bom vibrar com este senhor), Nathalie Stutzmann (um contralto de timbre tão aconchegante e aveludado que só me ocorre uma seroada à lareira, saboreando um bom e generoso tinto) e de Luca Tittoto (tão grave, tão grave, tão seguramente grave que até arrepia), dirigidos pelo excelente Marc Minkowski, deparei-me com inúmeras pérolas, das quais, pela melancolia que encerra (que tanto se aproxima do estado de espírito que dias como o de hoje e o de amanhã me aportam), selecciono esta:
Lieux funestes, où tout respire
La honte et la douleur;
Du désespoir sombre et cruel empire,
L'horreur que votre aspect inspire
Est le moindre des maux qui déchirent mon cœur.
L'objet de tant d'amour,
la beauté qui m'engage,
Le sceptre que je perds, ce prix de mes travaux,
Tout va de mon rival devenir le partage;
Tandis que, dans les fers, je n'ai que mon courage
Qui suffit à peine à mes maux.
Ah não se deixem tolher pela minha melancolia, envolvam-se tão só na sua beleza e encanto e entrem bem no segundo já de Novembro. Estamos aqui, estamos no Natal.